A consciência expandida



Espiritualidade Prática

Pêndulos e egrégoras: quem está influenciando a sua realidade?

Vadim Zeland afirma que estruturas coletivas podem capturar nossa atenção e influenciar escolhas, emoções e comportamentos. O conceito de Pêndulo, apresentado no Transurfing, guarda interessantes semelhanças com a antiga concepção esotérica das egrégoras — e pode oferecer uma provocação importante sobre aquilo que chamamos de realidade.

Podemos mudar a realidade de nossa existência? Místicos, filósofos e pensadores atuais defendem métodos diversos, como mentalização, visualizações, práticas esotéricas, magia, sugestão, autosugestão, etc.. Porém, uma postagem no instagram me chamou a atenção para as ideias de Vadim Zeland, um escritor, místico e ex-físico russo, famoso por criar o conceito de Transurfing (ou Reality Transurfing), um método de controle e gerenciamento da realidade.

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Zeland afirma que estruturas coletivas podem capturar nossa atenção e influenciar escolhas, emoções e comportamentos. Procurei no google e encontrei a série de livros Transurfing. E ele traz o conceito de Pêndulo provocador das realidades que vivemos.

Mas o que Zeland chama de Pêndulo?

Pedi ao chat.gpt a definição da palavra como apresentada na série de livros Transurfing. E a resposta foi: “No sistema de Transurfing da Realidade, desenvolvido pelo escritor russo Vadim Zeland, o “Pêndulo” é um dos conceitos centrais. Ele não deve ser entendido como um pêndulo físico, mas como uma estrutura coletiva de energia, atenção e pensamento que passa a exercer influência sobre as pessoas que a alimentam.

Assim, logo percebi uma selelhança entre o conceito de Zeland com a antiga concepção esotérica das egrégoras. Aquele conjunto de vibrações mentais e emocionais formadas por grupos de alguma forma organizados para determinadas finalidades.

O autor de Transurfing tem formação científica. Zeland esteve envolvido com pesquisas sobre Física Quântica antes de enveredar para problemas da consciência. Ele cita vários exemplos de comoo Pêndulo funciona ao determinar nossa realidade de vida. Com base em seus conceitos, vou ilustrar aqui uma história real. As personagens tiveram seus nomes alterados.

Um caso real

Bárbara está doente. Advogada de meia idade, reconhecida pela competência profissional, afastou-se do trabalho depois de enfrentar períodos recorrentes de depressão. Atualmente, sua vida financeira depende do pai, Astolfo, um velho militar bem-sucedido e empresário.

Dentro de casa, porém, existe uma verdadeira guerra emocional.

Há anos, Bárbara diz a todos que sofre constantes agressões verbais do pai. Algumas vezes, o conflito começa por causa da comida que ela mesmo prepara. Em outras, pelas despesas domésticas. Há também críticas sobre suas decisões pessoais. Segundo ela, determinadas explosões parecem surgir sem qualquer motivo aparente.

Xingamentos e humilhações se repetem.

Em determinados momentos, Bárbara chegou a desejar que o pai morresse. Não porque tivesse elaborado algum plano contra ele, mas porque passou a enxergar no desaparecimento daquele homem uma possível libertação de um sofrimento que parecia não terminar.

O problema é triplo. A situação torna-se ainda mais complexa porque Bárbara é mãe solteira e mora com o filho. Às vezes, o rapaz a defende diante do avô. Em outras ocasiões, entra em conflito com a própria mãe.

A agressividade, portanto, deixou de parecer uma sucessão de discussões isoladas. Transformou-se em uma espécie de atmosfera familiar. Ou seria “egrégora familiar”?

E seus efeitos chegam até às pessoas que não moram naquela casa. Parentes distantes que se intrometem nas confusões caseiras, mesmo vivendo quilômetros de distância.

Bárbara tenta mudar tudo. Mas nada muda

Diante dessa situação, o que Bárbara faz?

Reclama.

Conversa com amigos sobre as agressões. Recorda com saudade da mãe, que já não está no plano terreno, e imagina como sua vida poderia ser diferente caso ela ainda estivesse presente.

Como possui interesse por espiritualidade, também recorre a práticas místicas. Faz mentalizações, busca pensamentos positivos e tenta direcionar boas vibrações ao pai e ao filho.

Quando uma discussão explode, tenta mentalizar paz.

Mas quando Astolfo a agride verbalmente, procura imaginar que ele ficará mais calmo.

Quando o filho reage de maneira hostil, tenta novamente modificar mentalmente a situação.

Então chega a semana seguinte.

Tudo começa outra vez.

Astolfo reclama. Bárbara reage. O filho interfere. Ela sofre, conta aos amigos o que aconteceu, procura uma explicação espiritual, mentaliza novamente uma solução e espera que alguma coisa finalmente mude.

Mas nada muda.

Seria possível olhar para essa história através de um dos conceitos mais intrigantes apresentados por Vadim Zeland em sua série Transurfing da Realidade: o Pêndulo.

O que é um Pêndulo no Transurfing?

Para Zeland, quando várias pessoas direcionam pensamentos e emoções para uma determinada estrutura, forma-se aquilo que ele denomina Pêndulo. No caso da advogada, seus pensamentos estão fixos na estrutura familiar.

Uma família pode constituir um Pêndulo. Uma religião também. Assim como um partido político, uma torcida, uma guerra, uma corrente ideológica, uma comunidade ou mesmo determinados conflitos.

O Pêndulo seria uma estrutura energético-informacional que, depois de formada, passa a influenciar aqueles que participam dela.

É importante observar que essa concepção pertence ao sistema metafísico desenvolvido por Zeland. Não existe comprovação científica de que Pêndulos existam como entidades energéticas independentes.

Isso, porém, não impede que o conceito seja utilizado como ferramenta de reflexão.

Porque existe uma pergunta extremamente concreta por trás dele:

Quanto da nossa energia mental é consumido por situações às quais reagimos repetidamente?

O Pêndulo não precisa do seu amor

Aqui está uma das ideias mais provocadoras do Transurfing.

Um Pêndulo não precisaria necessariamente que alguém gostasse dele.

Precisaria de atenção.

Imagine uma disputa política. Uma pessoa passa horas defendendo determinado grupo. Outra passa exatamente o mesmo tempo atacando esse grupo.

As duas aparentemente ocupam posições opostas.

Entretanto, ambas dedicam atenção, pensamentos e emoções ao mesmo objeto.

Para Zeland, portanto, amor e ódio podem alimentar uma mesma estrutura quando produzem envolvimento emocional intenso.

Raiva, indignação, medo, ressentimento e desejo de vingança seriam particularmente eficientes para manter uma pessoa conectada ao Pêndulo.

Voltemos, então, à casa de Bárbara.

Talvez o Pêndulo não seja Astolfo

Essa distinção é fundamental.

Seria fácil concluir que Astolfo é o Pêndulo.

Não é necessariamente assim.

Dentro da lógica de Zeland, podemos interpretar que o Pêndulo é a própria dinâmica de conflito criada e continuamente alimentada naquela família.

Astolfo provoca.

Bárbara reage.

O filho entra no conflito.

Astolfo reage novamente.

Bárbara procura os amigos e revive mentalmente tudo o que aconteceu.

Depois, retorna para casa esperando a próxima agressão.

Forma-se um circuito:

provocação → reação → sofrimento → ruminação → expectativa → nova provocação.

Cada participante pode estar alimentando essa estrutura de maneira diferente.

Isso não significa estabelecer equivalência moral entre quem agride e quem sofre a agressão. Muito menos afirmar que Bárbara provoca ou merece o comportamento abusivo do pai.

A responsabilidade pela agressão continua pertencendo a quem agride.

A questão proposta pelo Transurfing é outra:

quanto da vida de Bárbara passou a ser organizada em torno da expectativa das atitudes de Astolfo?

Nesse momento, o conflito já não acontece apenas quando o pai grita.

Ele continua dentro dela depois que o grito termina.

Quando combater também significa permanecer ligado

Surge aqui um paradoxo.

Bárbara quer desesperadamente que Astolfo mude.

Por isso, mentaliza, rewza e pensa constantemente nele.

Ela observa o humor do pai. Tenta prever suas reações. Recorda discussões anteriores. Conta aos amigos o que aconteceu. Imagina o que responderá da próxima vez.

E até suas práticas espirituais permanecem concentradas nele:

“Que meu pai fique calmo.”

“Faça que meu pai pare de me atacar.”

“Que meu pai mude.”

Embora afirmações positivas na intenção, essas formulações continuam colocando Astolfo e o conflito no centro de sua atenção.

Na interpretação de Zeland, combater obsessivamente um Pêndulo pode significar continuar oferecendo energia a ele.

O paradoxo da mentalização positiva

Isso permite levantar outra questão delicada.

Bárbara procura realizar mentalizações positivas justamente durante o auge das agressões.

Mas naquele momento seu organismo está tomado por medo, raiva, tristeza ou indignação. Mentalmente ela afirma:

“Tudo está em paz.”

Emocionalmente, porém, experimenta exatamente o contrário.

Forma-se uma contradição entre aquilo que ela tenta afirmar e aquilo que efetivamente vivencia.

Sob uma perspectiva psicológica, pensamento positivo não substitui medidas concretas de proteção, estabelecimento de limites, busca de autonomia ou ajuda profissional quando necessária.

Sob a perspectiva do Transurfing, a tentativa desesperada de eliminar determinada situação pode aumentar aquilo que Zeland chama de importância excessiva.

Quanto mais Bárbara pensa:

“Isso precisa acabar imediatamente para que eu possa ser feliz”,

mais sua felicidade fica condicionada ao comportamento de Astolfo.

E, paradoxalmente, Astolfo passa a ocupar ainda mais espaço em sua realidade.

Do Pêndulo à egrégora

Como insinuamos no início deste texto, para estudantes de tradições esotéricas, o conceito de Zeland produz uma associação quase inevitável: a egrégora.

Em diferentes correntes do esoterismo ocidental, o termo é utilizado para descrever uma espécie de campo ou estrutura psíquica coletiva formada por pensamentos, emoções, símbolos, intenções e práticas compartilhadas por determinado grupo.

Embora existam diferentes interpretações sobre sua natureza, a ideia fundamental é que o indivíduo contribui para o coletivo e, simultaneamente, recebe influência dele.

Existe, portanto, uma semelhança evidente com o Pêndulo.

Ambos partem da noção de que pensamentos e emoções coletivos podem formar estruturas que posteriormente influenciam os próprios indivíduos que as produziram.

Entretanto, Pêndulo e egrégora não devem ser tratados simplesmente como sinônimos.

Pêndulo e egrégora são a mesma coisa?

Não exatamente.

Zeland enfatiza principalmente a capacidade dos Pêndulos de capturar atenção, provocar reações e conduzir indivíduos segundo interesses próprios da estrutura.

Já determinadas tradições esotéricas admitem a existência de egrégoras construtivas, conscientemente alimentadas por grupos reunidos em torno de ideais considerados elevados.

Uma comunidade dedicada à fraternidade, ao conhecimento, à caridade ou ao desenvolvimento espiritual poderia, segundo essa interpretação, desenvolver uma atmosfera coletiva capaz de fortalecer essas mesmas qualidades em seus participantes.

Temos, portanto, uma diferença importante.

No Transurfing, a pergunta tende a ser:

“Este Pêndulo está controlando minhas escolhas?”

No trabalho consciente com uma egrégora, a pergunta poderia ser:

“Com que tipo de campo coletivo estou escolhendo colaborar?”

Em ambos os casos, entretanto, existe uma palavra fundamental:

consciência.

A psicologia oferece outra interpretação

Não precisamos aceitar literalmente a existência de campos energéticos para reconhecer fenômenos semelhantes na psicologia social.

Famílias desenvolvem padrões de comportamento.

Empresas desenvolvem culturas.

Grupos criam normas.

Multidões apresentam contágio emocional.

Redes sociais amplificam indignação.

Uma pessoa entra em determinado ambiente e rapidamente percebe quais opiniões são aceitas, quais comportamentos são recompensados e quais atitudes provocam rejeição.

Gradualmente, pode começar a adaptar seu próprio comportamento ao grupo.

Sob uma perspectiva psicológica, portanto, aquilo que Zeland denomina Pêndulo pode encontrar paralelos em fenômenos como pressão social, identidade grupal, condicionamento, ruminação, reforço comportamental e contágio emocional.

Isso não prova a metafísica do Transurfing.

Mas torna sua metáfora particularmente interessante.

Como Bárbara poderia “parar o Pêndulo”?

Aqui está talvez a pergunta mais importante.

Parar de alimentar o Pêndulo não significa aceitar passivamente as agressões de Astolfo. Aliás, ela já recebeu ofertas de ajuda judicial.

Também não significa fingir que nada está acontecendo.

Muito menos abandonar providências concretas.

Significa retirar do conflito aquilo que não precisa estar nele.

Bárbara poderia começar perguntando:

“O que realmente depende de mim?”

Talvez ela não consiga modificar Astolfo.

Mas pode trabalhar sua autonomia financeira.

Pode buscar tratamento adequado para seu sofrimento emocional.

Também pode estabelecer limites.

Pode recusar determinadas discussões.

Mas pode sair de um ambiente quando uma agressão começa, quando isso for seguro.

Pode conversar com o filho fora dos momentos de conflito.

Pode procurar apoio profissional e uma rede de proteção.

E, principalmente, pode começar a construir mentalmente uma vida que não tenha Astolfo como personagem central.

Essa diferença é enorme.

Em vez de:

“Quero que meu pai pare de me atacar”,

a pergunta passa a ser:

“Que vida quero construir para mim?”

O foco deixa progressivamente o Pêndulo e retorna para a pessoa.

A espiritualidade também precisa conduzir à ação

Esse talvez seja um dos aspectos mais delicados do caso de Bárbara.

Práticas espirituais podem auxiliar na serenidade, no autoconhecimento e na observação das próprias emoções. Entretanto, tornam-se problemáticas quando utilizadas como substitutas permanentes da ação.

Mentalizar serenidade pode ajudar Bárbara a encontrar equilíbrio.

Mas mentalizar que Astolfo mudará não lhe concede controle sobre Astolfo.

Existe uma diferença entre transformar a própria consciência e tentar utilizar a consciência para controlar outra pessoa.

Talvez seja justamente aí que Transurfing, antigas tradições de autoconhecimento e algumas abordagens psicológicas encontrem um inesperado ponto comum:

o trabalho começa naquele sobre quem realmente possuímos alguma possibilidade de ação: nós mesmos.

Quem está movimentando o seu Pêndulo?

Voltemos uma última vez àquela casa.

Astolfo grita.

O filho reage.

Bárbara sente surgir dentro de si a resposta habitual.

Mas, desta vez, alguma coisa diferente acontece.

Ela percebe o mecanismo.

Não significa que deixou de sentir raiva. Não significa que aprovou a agressão. Também não significa que permanecerá naquela situação indefinidamente.

Significa apenas que, por um instante, conseguiu observar:

“Isso está tentando me arrastar novamente para o mesmo lugar.”

Talvez seja esse pequeno instante de consciência que Zeland procura apontar quando fala sobre os Pêndulos.

Não podemos viver completamente isolados das influências coletivas. Participamos de famílias, organizações, culturas, religiões, empresas, comunidades e sociedades.

Estamos continuamente influenciando e sendo influenciados.

A questão fundamental talvez não seja, portanto, descobrir como viver sem Pêndulos ou egrégoras.

A pergunta pode ser muito mais profunda:

A quais forças estamos entregando nossa atenção?

Porque, seja compreendida como energia, mecanismo psicológico ou metáfora espiritual, a atenção possui uma característica indiscutível:

aquilo que ocupa continuamente nossa consciência acaba ocupando também uma parte considerável da nossa vida.


Perguntas frequentes

O que é um Pêndulo para Vadim Zeland?
No sistema do Transurfing, é uma estrutura energético-informacional criada e alimentada pela energia e atenção de pessoas que compartilham determinados pensamentos, emoções ou comportamentos.

Pêndulo e egrégora são a mesma coisa?
Os conceitos apresentam semelhanças, principalmente na ideia de uma estrutura coletiva alimentada pelos participantes e capaz de influenciá-los. Entretanto, pertencem a sistemas diferentes e não devem ser considerados automaticamente equivalentes.

Todo Pêndulo é negativo?
Não necessariamente. O aspecto central da reflexão proposta por Zeland está na perda de autonomia quando o indivíduo passa a reagir inconscientemente às estruturas que disputam sua atenção.

Como deixar de alimentar um Pêndulo?
Dentro da proposta do Transurfing, uma das estratégias é reduzir a importância excessiva, abandonar reações automáticas e direcionar a atenção para os objetivos e escolhas que efetivamente dependem do indivíduo.

Existe comprovação científica dos Pêndulos?
Não há evidência científica estabelecida da existência dos Pêndulos como estruturas energéticas independentes. O conceito pertence ao sistema metafísico de Vadim Zeland, embora possa ser comparado, como metáfora, a fenômenos estudados pela psicologia social.

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